

“Diz-se que “Quilores” nasceu artista: De sol a sol imaginando berliques e berloques nas mobílias de estilo, foram os seus dotes artísticos e o seu poder inventivo que o levaram ao êxito retumbante no acanhado meio etnográfico nacional. À custa dele, das suas arrelias e más-vontades, trabalhou graciosamente para o Museu da Póvoa, que o tomou orgulhosamente como seu. Foi seu fiel e dedicado servidor, cicerone e conservador.”
António “Quilores” sonhava desde há muito reproduzir em bonecos de madeira os característicos jogos e costumes poveiros, em miniatura. Hoje na loja da Piurra, poderá ver todos os cenários desse sonho, produzidos em 1975 (ano do nascimento do neto), retratam os Jogos e tradições populares entre os quais está presente o Jogo do Pião.
Neste conceito, o projecto PIURRA joga com o etéreo, o indefinido, com o resgate das grandes memórias. Estes jogos são meros acervos que sonham e se transfiguram como um gás volátil, como as coisas que não pesam e navegam numa planície que acedemos quando sonhamos.
Pelo olhar de “Quilores” descobrimos a vastidão de um mundo interior, intacto, errante como uma paisagem de fundo e assim primordial e delicado, arcaico e sublime.
Na mostra destes oito jogos sente-se o sussurrar das histórias, o rodopiar da Piurra. Nela adivinham-se as palavras, o turbilhar das ideias: a Piurra que se cria à medida da sua metamorfose, no seu espaço de Invenção.
Este recordar é um renascer em rodopio.
À Piurra e ao avô “Quilores”.